Língua presa no bebê: o que é o frênulo lingual, como afeta a amamentação e quando operar

Quando minha filha caçula nasceu, a amamentação foi um sofrimento desde o primeiro dia. Dor intensa, pega difícil, ela ficava no seio a manhã inteira e parecia nunca saciar. A consultora de amamentação olhou e disse: “Ela tem frênulo lingual.”

Nunca tinha ouvido falar. E imagino que muitas mães também não. Então vou te contar tudo que aprendi.

O que é frênulo lingual?

O frênulo lingual é aquela membrana que fica embaixo da língua, prendendo-a ao assoalho da boca. Todo mundo tem. O problema aparece quando esse frênulo é curto ou muito espesso, limitando o movimento da língua. Isso é chamado de anquiloglossia, ou popularmente, língua presa.

A língua presa ocorre em cerca de 4% a 10% dos recém-nascidos. É mais comum em meninos do que em meninas.

Como afeta a amamentação?

Para mamar bem no seio, o bebê precisa conseguir projetar a língua além dos lábios e fazer um movimento de ondulação. Com o frênulo curto, a língua fica limitada e o bebê não consegue fazer uma pega eficiente.

Os sinais mais comuns são: dor intensa na amamentação desde o início, bicos rachados, bebê que fica muito tempo no seio mas não ganha peso bem, bebê que faz barulho de clique ao mamar, mama em períodos muito curtos ou muito longos sem parecer satisfeito.

A mãe frequentemente acha que é problema dela — pouco leite, bico invertido, pega errada. Mas muitas vezes é o frênulo do bebê que precisa ser avaliado.

Afeta só a amamentação?

Não. Em bebês mais velhos, o frênulo curto pode dificultar a mastigação de alimentos sólidos e, mais tarde, interferir na fala, especialmente na pronúncia de sons que exigem a língua no céu da boca como o “l”, “r” e “t”.

Também pode afetar a higiene bucal, já que a língua tem função de autolimpeza dos dentes.

O diagnóstico

O frênulo deve ser avaliado idealmente logo após o nascimento, ainda na maternidade. Existe um protocolo chamado ATLFF (ou Bristol) que avalia a funcionalidade do frênulo, não só a aparência.

O problema é que nem todos os profissionais são treinados para fazer essa avaliação. Se você suspeita, procure um fonoaudiólogo especializado em amamentação ou um pediatra com experiência no tema.

O tratamento: frenotomia

Quando o frênulo realmente limita a função, o tratamento é cirúrgico: a frenotomia, que é o corte do frênulo. Em bebês pequenos é um procedimento simples, rápido (menos de um minuto), sem anestesia geral, com mínimo sangramento e recuperação muito rápida.

Muitas mães relatam melhora imediata na amamentação, ainda na sala de procedimento. Não é exagero — aconteceu comigo também.

Em crianças maiores ou adultos o procedimento é mais complexo e geralmente precisa de acompanhamento fonoaudiológico.

Precisa sempre operar?

Não necessariamente. Frênulos que não limitam a função não precisam de tratamento. A decisão deve ser baseada na funcionalidade, não só na aparência. E sempre em conjunto com profissional qualificado.

Seu bebê teve frênulo diagnosticado? Como foi a experiência de vocês? Conta aqui nos comentários!

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