Quando comecei a amamentar meu primeiro filho, a lista de coisas que “não podia comer” que recebi de familiares era enorme. Feijão dá cólica. Repolho, então, nem pensar. Chocolate é proibido. Café está fora.
Fui conversar com a pediatra, que olhou pra mim e disse: “Come de tudo. Come bem. Bebe água. É isso.” Minha vida mudou naquele dia.
A verdade sobre a alimentação na amamentação
O leite materno é produzido a partir do sangue da mãe, não diretamente do que ela come. Isso significa que a composição nutricional do leite é muito mais estável do que as pessoas imaginam. Mesmo mães com alimentação precária produzem leite de qualidade, porque o organismo prioriza o bebê, às vezes às custas da própria mãe.
Dito isso, a sua alimentação importa. Não para o leite do bebê, mas pra você. Uma mãe bem nutrida tem mais energia, se recupera melhor e se sente melhor.
O mito das cólicas pela alimentação
Feijão, brócolis, repolho, cebola. Esses alimentos produzem gases em você, mas as moléculas que causam isso não passam para o leite materno de forma significativa. Estudos mostram que a maioria das mães pode comer de tudo sem que o bebê seja afetado.
Existe uma minoria de bebês que reage a proteínas específicas que passam para o leite, principalmente proteína do leite de vaca. Mas isso é uma situação específica que o pediatra identifica, não uma regra geral para todas as mães.
Se você perceber que toda vez que come determinado alimento o bebê fica claramente mais agitado e com cólica, aí vale observar e conversar com o médico. Mas não corte tudo preventivamente sem necessidade.
O que realmente faz diferença comer
O que você come na amamentação influencia principalmente o seu bem-estar e a concentração de algumas vitaminas no leite. Vale caprichar em:
- Proteínas: carnes, ovos, leguminosas. São essenciais para a produção do leite e para a sua recuperação pós-parto.
- Cálcio: laticínios, brócolis, gergelim, amêndoas. Seu corpo vai buscar cálcio dos seus ossos se precisar.
- Ômega 3: peixes como salmão, sardinha e atum. Fundamental para o desenvolvimento do cérebro do bebê.
- Ferro: carnes vermelhas, feijão, lentilha. A amamentação e o pós-parto aumentam a demanda.
- Água: muita água. A produção de leite aumenta sua necessidade de hidratação significativamente.
E o café?
Pode. Com moderação. A cafeína passa em pequena quantidade para o leite, e bebês muito novos metabolizam ela mais devagar. Mas uma ou duas xícaras por dia está dentro do aceitável para a maioria das mães e bebês.
Se notar que o bebê fica muito agitado depois que você toma café, reduza. Se não notar diferença, pode tomar sua xícara em paz.
E o álcool?
Aqui a recomendação é mais cautelosa. O álcool passa para o leite e bebe que mama logo após a mãe beber pode ser afetado. A orientação geral é evitar. Se for tomar uma taça em ocasião especial, o ideal é esperar pelo menos 2 a 3 horas antes de amamentar, ou tirar o leite antes e guardar.
Precisa de suplemento?
Vitamina D é geralmente indicada para mães que amamentam, assim como para o próprio bebê. Ômega 3 também é uma boa adição. O resto depende de exames e da sua alimentação no dia a dia. Converse com seu médico antes de sair comprando tudo na farmácia.
Você mudou muita coisa na alimentação durante a amamentação? O que funcionou pra você? Me conta aqui nos comentários!

Deixe uma resposta