Quando fiquei grávida pela primeira vez, eu mal sabia quais eram os meus direitos em relação à licença maternidade. Tinha medo de perguntar no trabalho, achava que ia parecer que eu não estava comprometida. Aprendi tudo na raça.
Hoje vou te contar o que eu sei para você não precisar passar pelo mesmo.
Qual é a duração da licença maternidade?
A licença maternidade garantida pela CLT é de 120 dias. Isso vale para empregadas com carteira assinada.
Mas tem um detalhe importante: empresas que fazem parte do Programa Empresa Cidadã podem prorrogar a licença para 180 dias. Vale checar se a sua empresa participa desse programa.
Servidoras públicas federais têm direito a 180 dias por lei. E para quem adota, o prazo também pode variar dependendo da idade da criança adotada.
A partir de quando começa?
A licença começa no dia do parto ou a partir de 28 dias antes da data prevista, se você tiver indicação médica para afastamento antecipado.
Em caso de nascimento prematuro, a licença começa na data do parto e pode ser prorrogada pelo tempo que o bebê ficou internado na UTI neonatal, até o limite de 120 dias.
E quem trabalha como autônoma ou MEI?
Quem contribui para o INSS tem direito ao salário-maternidade pelo INSS, não pelo empregador. O benefício dura 120 dias e o valor é calculado com base nas contribuições.
Para MEI, o valor mensal é um salário mínimo. Para autônomas que contribuem com percentual maior, o cálculo é diferente.
O pedido é feito diretamente pelo aplicativo Meu INSS ou pelo site.
Posso ser demitida durante a licença?
Não. A gestante tem estabilidade no emprego desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto. Isso vale mesmo que a empresa não saiba da gravidez.
Se você for demitida nesse período, tem direito a reintegração ao emprego ou indenização do período da estabilidade.
O pai também tem direito?
Sim. A licença paternidade padrão é de 5 dias. Empresas do Programa Empresa Cidadã podem oferecer 20 dias.
Ainda é bem pouco comparado à realidade de cuidar de um recém-nascido. Mas é o que existe hoje.
Como se preparar para voltar ao trabalho
Essa parte ninguém fala muito, mas é uma das mais difíceis.
Organiza o retorno com antecedência. Se você vai amamentar, converse com o RH sobre os intervalos para amamentação. A lei garante dois intervalos de meia hora por dia até o bebê completar 6 meses.
Se o bebê vai para creche ou babá, tenta começar a adaptação uma ou duas semanas antes de você voltar. Ajuda muito para os dois lados.
Faz um plano de como vai funcionar a rotina. Quem busca o bebê, o que acontece em caso de doença, onde fica a bolsa de amamentação.
E se prepara emocionalmente. Sentir culpa por voltar a trabalhar é extremamente comum. Não significa que você é uma mãe ruim. Significa que você se importa.
O que eu fiz diferente nas três vezes
Na primeira licença, voltei aos 4 meses e foi muito difícil. Não tinha me preparado emocionalmente.
Na segunda, negociei home office parcial por mais dois meses antes de voltar presencialmente. Fez toda a diferença.
Na terceira já sabia o que esperar. Fiz a adaptação na creche com antecedência e já tinha combinado a rotina com meu marido antes do parto.
Cada situação é diferente. Mas planejar com antecedência ajuda muito.
E você, como foi a sua experiência com a licença maternidade? Teve alguma dificuldade que não esperava?

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