Tirar a fralda do meu primeiro filho foi uma aventura que eu não estava nem um pouco preparada para enfrentar. Achei que ia ser simples: mostro o penico, ele entende, pronto.
Foram três semanas de acidente atrás de acidente, choro e frustração dos dois lados. Eu fui aprendendo no erro mesmo.
Com o segundo, fui muito mais tranquila. Com o terceiro, eu já sabia exatamente o que fazer. Quero te poupar do caminho que percorri à base de tentativa e erro.
Quando o bebê está pronto para o desfralde?
Essa é a pergunta mais importante. E a resposta é: quando ele mostrar sinais de prontidão, não quando o calendário disser.
Os principais sinais de que a criança pode estar pronta:
Fica seca por pelo menos 2 horas seguidas. Isso mostra que a bexiga já consegue reter urina por mais tempo.
Avisa quando fez ou está fazendo xixi ou cocô na fralda. Mesmo depois de ter feito, já é um sinal importante de consciência corporal.
Consegue sentar e levantar do penico sozinha, ou pelo menos com pouca ajuda.
Demonstra interesse em usar o banheiro ou imitar adultos e irmãos mais velhos.
Esses sinais costumam aparecer entre 18 meses e 3 anos. Meninas geralmente se desenvolvem um pouco antes que meninos, mas é muito individual.
Começar cedo demais prejudica?
Pode sim. Quando a criança não tem maturidade neurológica para controlar a bexiga e o intestino, o processo vira uma tortura para todos. A criança sente que está falhando, fica ansiosa, e pode até ter regressão depois.
Forçar antes da hora também pode criar associação negativa com o banheiro, que dura bastante tempo.
Esperar os sinais de prontidão e respeitar o ritmo da criança, na maioria dos casos, resulta em um desfralde mais rápido do que forçar cedo demais.
Como fazer na prática
O método que funcionou comigo foi o chamado desfralde natural ou orientado, que é basicamente acompanhar a criança, não pressionar e criar oportunidades.
Apresente o penico com antecedência, sem pressão. Deixe ele em um lugar acessível. Deixe a criança explorar antes de precisar usar de verdade.
Convide a criança a sentar no penico nos momentos mais prováveis: ao acordar, depois de comer, antes do banho. Sem obrigar.
Se ela fizer no penico, celebre bastante. Se não fizer, não mostre frustração. Um “tudo bem, a gente tenta de novo depois” já é suficiente.
Nos primeiros dias em casa sem fralda, deixe a criança com roupas fáceis de tirar ou só de calcinha mesmo. Faz diferença quando o acidente acontece, e ele vai acontecer.
O cocô é mais difícil que o xixi
Ninguém me avisou disso. O controle intestinal costuma demorar mais que o urinário. É normal a criança aprender a avisar o xixi e ainda ter acidentes com cocô por semanas ou meses.
Alguns bebês ficam com medo de fazer cocô no penico ou no vaso. Isso é muito comum. Não brigue, não pressione. Ajuda mostrar que o cocô de outras pessoas também vai para o vaso, usar livros sobre o assunto, e deixar a criança confortável e com privacidade.
A fralda noturna
É normal a criança ficar seca durante o dia e continuar usando fralda à noite por meses ou até mais de um ano. O controle noturno depende de um hormônio que só amadurece com o tempo.
Não tire a fralda noturna antes da criança acordar seca por pelo menos duas semanas seguidas. Isso é sinal de que o corpo já está pronto.
O que não funciona
Punir ou envergonhar por acidentes. Só cria medo e insegurança.
Comparar com outras crianças. Cada uma tem seu tempo.
Fazer o desfralde em períodos de mudança grande na vida da criança, como nascimento de irmão, troca de escola ou mudança de casa. O estresse dificulta o processo.
O desfralde pode ser mais tranquilo do que parece. Respira, segue os sinais do seu filho e vai no ritmo dele.
Como foi o desfralde do seu filho? Teve alguma estratégia que funcionou muito bem lá na sua casa? Me conta nos comentários!

Deixe uma resposta